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Artemosfera

Acontece em várias cidades do mundo. Munster, na Alemanha, tem o “Skulptur Projekte”; São Paulo tem o “Arte Cidade”. Estou falando de eventos baseados em intervenções urbanas provisórias, com a participação de consagrados artistas nacionais e internacionais.

Porto Alegre conta com o ARTEMOSFERA. Este ano, a curadoria espalhou obras de diversos naipes ao redor da cidade, dialogando com a paisagem e com o público. E com um aditivo que muito aprecio: gratuitamente, graças ao apoio crucial de grandes empresas e da mídia local.

Praticamente em cada lugar chave da cidade existia uma obra, ainda que escondida. Somente ontem soube que existiria um meio de descobrir todas elas. A organização disponibilizou dois ônibus, que ofereciam visitas guiadas a todas as obras. Eram dois estes chamados Bondes do Artemosfera. Um conduzia para a Zona Norte, o outro para a Zona Sul. Quando era possível, os passageiros desciam e apreciavam os trabalhos, tiravam fotos, interagiam com a proposta dos artistas.

Pena não ter sabido antes. Não pude anunciar antes no blog, para os que estariam nos finais de semana de janeiro em Porto Alegre. E pena também para mim. Este domingo era o último dia e teria de optar entre a Zona Norte e a Zona Sul. Ao chegar, o primeiro já estava lotado, então foi mais fácil decidir.

Pois recomendo bastante. O passeio também foi gratuito e a cada descida tínhamos a companhia de um sanfoneiro (gaitero aqui no Sul). Até fizemos boas amizades, com algumas conterrâneas pernambucanas que conheci durante o trajeto (que coincidência, sentadas na nossa frente! Eu as reconheci pelo sotaque). Achei apenas que a guia poderia explicar mais das obras, falar sobre o artista, o material empregado, a mensagem. Mas já estava de bom tamanho. Ano que vem deve ter de novo e já entrou na minha agenda de programa bom e barato de verão.



Escrito por Luis Oliveira às 21h52
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O que acham de morar num shopping?

Desde setembro do ano passado, venho sendo constantemente assediado por corretores de imóveis para embarcar com exclusividade no pre-lançamento da futura maior sensação em imóveis em Porto Alegre, o Résidence du Lac. Trata-se, segundo me afirmaram, pois não fui conferir, do primeiro prédio residencial a ser construído em um shopping no Brasil. Inaugura-se uma tendência: morar num local seguro, com toda estrutura de comércio, lazer e serviços ao seu alcance.

Sou refratário a esses grandes achados de negócios. Pode ser uma grande oportunidade, mas pode ser também uma furada. Me coloquei no lugar do morador: quem quer viver dentro de um shopping? É abrir mão da privacidade. Fora isso, todos os serviços dentro de um centro comercial são mais caros, na média, que outros.

Me mandaram e-mails, sms, convites para conhecer o apartamento decorado. Nada. Até que esta semana dei o braço a torcer. Atendi o telefonema de uma corretora. Pelo jeito, era uma iniciante. Gosto de conversar com quem está entrando no mercado, pois uma pessoa assim quer ter uma cartela de clientes de confiança. Vai fazer de tudo para oferecer o melhor. Ao contrário de outros profissionais mais destacados. E como ela ainda está verde, não vai conseguir enrolar tanto se você expor ponto de vista contrário.

Ela compareceu ao meu trabalho e fomos tomar um café, enquanto ela me expunha o projeto. Vejam vocês: apartamentos de 43 a 80 m², todos com churrasqueira, estacionamento gratuito do shopping, serviço de quarto e vista definitiva para o rio Guaíba. Acrescente a estrutura do prédio: dois últimos andares dedicados a salão de festa, piscina aquecida, sauna e academia.

O projeto é sem dúvida interessante, um diferencial de mercado. A marca da construtora é sólida e ela tem a boa fama de entregar seus produtos com qualidade e no prazo. Só que, para se tornar atrativo para o investidor, é preciso outra viga de conversa.

Para o investidor, o grande lance é comprar um imóvel ainda no pre-lançamento. As unidades estão no preço mínimo. Dá-se o lance inicial, a entrada e a cada mês vão sendo pagas as mensalidades. A cada 90 ou 180 dias são pagos uns reforços. Até aí o prédio ainda não existe. Então, não é preciso pagar IPTU, ITBI nem o financiamento imobiliário. Quando o prédio está bem adiantado, faltando cerca de 6 meses para a entrega das chaves, é a hora de agir. Por a sua unidade à venda. O comprador vai lhe reembolsar o que você pagou, com a atualização e ainda a valorização da obra. O que você ganha é essa valorização, que pode ser um bom negócio.

Só que essas unidades dificilmente vão servir para família, pelo tamanho reduzido. O público alvo de unidades assim é o de estudantes, aposentados, recém casados ou recém separados e ainda executivos (ou seja, profissionais que precisam morar um tempo na localidade, o que vai desde empresários até jogadores de futebol).´

Contudo, o preço da unidade assusta. Segundo a corretora, o ideal não seria vender, mas por para alugar, que o lucro seria garantido. Mas para lucrar, o aluguel deveria sair na faixa de R$ 8 mil! É um valor muito alto, fora da realidade de Porto Alegre. Ora, a cidade não está crescendo tanto assim, nenhum mega investimento vai mudar a face da cidade, para precisar de jovens executivos morando e se dispondo a pagar essa enormidade. Esqueça também aquela outra parcela de público. Para que um aposentado iria gastar tanto num flat? Melhor aproveitar o resto da vida em viagens. Um estudante então nem se fala. E um casal recém casado quer mais economizar para comprar uma casa maior para servir aos filhos.

Isso fora o custo do condomínio, que está sendo estimado em R$ 2 mil. Alguém imagina gastar R$ 10 mil por mês num apartamento de 43m²? Nem eu.

Nem mesmo em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, em que o mercado imobiliário está aquecido e que possui um maior público disposto a pagar quantias equivalentes, um apartamento desse porte teria revenda fácil. Imagine em uma capital com muita área para se construir e em um bairro que não é considerado o mais nobre e que oferece opções de moradia mais confortáveis e amplas a preços muito inferiores. E o fato de tantos corretores ficarem ligando insistentemente para mim (suponho que estejam fazendo isso com outros possíveis interessados) bem demonstra que não é esse estouro de vendas todo.

Acredito que se possa ganhar dinheiro com imóveis. Gosto de confiar em construtoras sólidas. E estou com o cartão da corretora, espero que ela sempre me mantenha a par de bons pre-lançamentos. Um residencial dentro de um centro de compras pode inaugurar mesmo uma tendência de mercado. Mas, sob essas condições, não apostaria em morar entre a praça de alimentação e a loja âncora.



Escrito por Luis Oliveira às 21h59
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A (boa) maldição da nota de R$ 100,00

 

Gosto muito dos textos do Fabrício Carpinejar, esse cronista do cotidiano, nascido em Caxias do Sul, mas com a prosa tão universal pela temática escolhida. É um pequeno mestre em retratar com humor e fina ironia os (dis)sabores da vida moderna, sobretudo quando ela se desenvolve a dois.

Numa crônica publicada no Zero Hora de hoje (24/01/2012), ele também dá uma aula de pirangagem, mostrando como uma maldição pode fazer com que a gente economize mais. Só que eu interpretei ao contrário, que é bom ser portador da cédula que nunca se esvai, assim não se gasta nada. Confiram vocês mesmos.

A MALDIÇÃO DA GAROUPA

 

Eu ria do meu amigo Manoel. Avarento que só vendo. Sua tática era carregar uma nota de cem reais como desculpa para não pagar nada pela frente.

Não é que ele não tivesse dinheiro, o coitadinho não contava na hora com notas menores.

Diante do estacionamento, ele me dizia: “Paga para mim que não tenho troco”. Na banca de revistas, “paga para mim que não tenho troco”. Depois de uma cerveja, “paga para mim que não tenho troco”.

A garoupa salvava seu zoológico. Eu gastava tudo.

Salafrário! Sua companhia me multava como um Ibama. Sua companhia me convertia num traficante de animais. Meu Pantanal financeiro morria a seu lado, à míngua de água. Dos meus bolsos, ouvia os últimos suspiros da tartaruga-de-pente, da garça, da arara, do mico-leão-dourado e da onça-pintada. Não restava uma pena, uma escama, para reconstituir a história de minha generosidade.

Ele terminava o dia sem gastar um vintém. Lustrava o porquinho comigo, preservava a poupança. E ainda dissimulava a mesquinhez com simpatia filantrópica. Em sua concepção, facilitava a vida dos comerciantes ao não tirar o dinheiro miúdo da caixa registradora. Apelidei Manoel ironicamente de Lei do Troco, aquela do ônibus.

Apesar da minha raiva justificada, havia uma verdade sutil por detrás de sua atitude.

Manoel compreendeu a maldição da nota de cem reais. O fardo da nota de cem reais.

Todas as vezes em que levo a mais alta efígie da República, não posso usar.

É trocar a nota que a grana se vai num minuto. Some. Desaparece. Escorre para o ralo.

É magia negra. Algo inexplicável. Mais demorado gastar uma nota de R$ 20 do que uma de R$ 100. Os filhos farejam quando acabamos de desmembrar a quantia, as dívidas são informadas, as contas nos acham na rua.

Existem gnomos credores dentro da carteira, que devoram o cardume filhote da garoupa, deve ser isso.

Como um valor pode desaparecer momentaneamente? Vejo-me como vítima de um truque de prestidigitação, de um golpe de ilusionismo do Banco Central.

Você evita torrar os cem reais, faz solenidade, economiza a folhinha durante sete dias.

É comprar com ela uma cartela de aspirina que perde o controle da situação. Sobram R$ 98, quase a mesma coisa, quase. Mas o montante evapora em menos de duas horas.

Há uma imunidade parlamentar na cédula azul, que permite que ela resista mais. Quando vira outro bicho, desaparece.

Tanto que Eike Batista se recusa a carregar notas de cem reais. O homem mais rico do Brasil não é bobo de arriscar sua fortuna numa superstição.


Escrito por Luis Oliveira às 18h14
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O que está havendo esta semana?

Duas ações policiais vistas durante os últimos dias só me fazem questionar a racionalidade das nossas instituições. Parece que estão ficando todos loucos!

 

Primeiro, vamos ao caso paulista. Em São José dos Campos (97 km de São Paulo), a justiça estadual determinou a reintegração de posse de um terreno no bairro de Pinheirinho. Até aí tudo normal, pois é dever da Justiça preservar o direito de propriedade. Mas os detalhes do caso mostram que essa seria a pior medida. Não era uma invasão qualquer. Há anos o terreno não estava sendo utilizado para nada. Vários sem teto começaram a ocupar o espaço e dar uma destinação adequada, social e economicamente. O próprio Poder Público local estimulou esse movimento, dotando o bairro de infraestrutura urbana, como obras de acesso, saneamento, escolas, postos de saúde e cobrava IPTU dos moradores.

Agora, quase 10 anos depois, a juíza do caso determina a imediata reintegração, como se houvesse tanta urgência. As partes, aliás, já haviam até concordado em adiar a retomada em 15 dias, pois o governo estaria disposto a desapropriar a área justamente para servir de moradia popular, garantindo a propriedade aos ocupantes. Nada disso foi considerado pela MM. Será que ela desconhecia a regra de que os juízes devem decidir conforme a paz social? Bom, os moradores não ficaram lá muito satisfeitos em abandonar o local que eles lutaram tanto para ocupar e manter. O confronto era inevitável.

Só que a situação toma outros ares quando se descobre de quem era o terreno. Da massa falida de uma empresa que fora administrada por Nagi Nahas, um dos maiores pilantras financeiros da história do país, responsável pela quebra da Bolsa do Rio de Janeiro, em uma sucessão de negócios fraudulentos. Nahas usava laranjas para comprar ações, cujos papeis ele comprava na baixa. Com a procura, o mercado passava a se interessar pelos papeis (que não valiam nada mesmo) e o Nahas revendia com um baita ágio. É quase uma pirâmide. Ou seja, bem capaz desses terrenos serem decorrentes desse esquema criminoso.

O segundo aconteceu em Pernambuco. Difícil imaginar que Eduardo Campos iria querer se queimar tanto com os movimentos sociais. Ainda mais com suas pretensões de liderança nacional. Mas não poderia ser pior. Seu avô deve estar se retorcendo no túmulo. O Batalhão de Choque está reprimindo violentamente as manifestações contra o aumento das passagens de ônibus na região Metropolitana de Recife. Balas de borracha e bombas de gás se tornaram corriqueiras nas ruas do centro da capital. Chegou-se ao absurdo da polícia intimar líderes estudantis e de movimentos sociais para comparecerem a delegacias antes dos protestos. Parece coisa de Estado policialesco. Até a vetusta Faculdade de Direito do Recife foi vítima de arbitrariedades, com bombas sendo jogadas em estudantes que estavam se organizando nela. Vejam bem: a polícia estadual invadindo área federal, onde estudantes estavam legitimamente exercitando seu direito de reunião.

Claro que a rebordosa estava pronta para estourar. Claro que alguns estudantes iriam revidar, com pedras, paus e até cusparadas em câmeras da Rede Globo. Mas esses eram minoria, que foram no fundo estimulados pela radicalização da polícia, que, é bom que se diga, só cumpre ordens.

E tudo por que os empresários conseguiram aprovar no Conselho Metropolitano um aumento de 6,5% no preço das passagens. Aliás, o aumento foi até maior. A passagem mais barata custava R$ 2,00. Com o aumento, passaria a ser de R$ 2,13. Mas, para facilitar o troco, arredondaram para R$ 2,15. Que malícia! O aumento, no fundo, foi equivalente a 7,5%, um ponto a mais que o divulgado e bem mais que a inflação acumulada. Quanta sacanagem, esperteza com o bolso.

O pior é que esse aumento seria até aceitável, se fosse para atender a um plano de melhorias, se houvesse um serviço decente sendo oferecido. No entanto, o transporte público de Recife é lastimável. Os ônibus têm uma frota inadequada, insuficiente, sem ar condicionado (vital numa cidade tão quente). As linhas não têm lógica, o itinerário não obedece a um sentido dentro da cidade. Não há integração direito e os terminais que deveriam servir para isso só prestam para mostrar que o povo é igual a gado para o governo. Enfim, tudo contribui para quem tiver um pouco de dinheiro sobrando vá de carro! E isso não é bom e o trânsito não está cada vez mais caótico de graça.

Duas situações em que a ação governamental equivocada (e quando falo de governo, é tanto o Judiciário que deu uma liminar quando poderia esperar; do Executivo, que não trabalhou a contento e jogou o jogo dos interesses empresariais - cujo objetivo de lucro é legítimo, desde que ofereçam um serviço adequado - ; e do Legislativo, que está calado, sem pressionar os órgãos envolvidos como deveriam).

 

 

Se do ponto de vista político essas intervenções são desastrosas (salvo para grandes financiadores de campanhas), no âmbito econômico elas conseguem ser piores. Milhares de pessoas investiram suas poupança em moradias que eram estimuladas pela municipalidade. Esta também gastou com as melhorias oferecidas. Outros tantos sofrem diariamente com o transporte porco oferecido em Recife e vão continuar sofrendo, pagando mais caro.

Se houvesse racionaliade, a polícia não teria gasto munição de forma desnecessária.



Escrito por Luis Oliveira às 23h31
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O triplo A e seus significados ocultos

Parece até cena de comédia pastelão: como num filme de Alberto Sordi, policiais italianos foram até a sede da Standard and Poor´s para apreender documentos, sob suspeita de que a agência de crédito não estaria seguindo pesquisas rigorosas para estabelecer os critérios de suas classificações de risco.

Tudo isso porque, esta semana, a Itália, e vários outros países europeus, incluindo uma das suas maiores economias (a França), tiveram suas notas rebaixadas do máximo (o A+ ou AAA) para AAa. Em comunicado, a S&P explicou que o corte reflete a fraqueza nas perspectivas de crescimento econômico da Itália, bem como a frágil coalizão do governo e as diferenças políticas dentro do Parlamento, que continuarão limitando a capacidade do governo para responder decisivamente aos desafios domésticos e externos.

Na prática, esse rating indica a capacidade que um governo tem de honrar suas dívidas. Ou seja, a agência fala para aqueles que investiram em títulos do governo qual a perspectiva desse governo tem de pagar em dia e nos juros ajustados. Se for uma classificação máxima, é risco zero que deixe de pagar. Mas quanto piores sejam as condições econômicas e política, ou quanto mais fracas as instituições públicas, pior para a segurança do investidor, que deve ter cautela com esses papeis.

Essa intervenção policial foi saudada como piada por alguns analistas econômicos brasileiros nos noticiários de hoje. E é de se rir mesmo, pois é simplesmente inútil. Prenda a política os analistas italianos, vai haver outros em Londres, Nova York ou Beijing, dizendo o que quiserem. E não adianta analisar os documentos que eles examinaram. A percepção não é algo tão matemática assim.

Só que uma coisa esses analistas não têm coragem de dizer. Essas agências não são inocentes na jogada. Eles têm fortes interesses em ditar a capacidade de pagamento de um país. O Brasil já foi vítima de análises pouco profissionais (ou muito profissionais, digamos) dessas instituições. Se um país tem sua capacidade de pagar títulos rebaixada, ele vai ter de compensar essa queda oferecendo maiores vantagens para seus investidores, como juros maiores. E assim, as próprias agências podem comprar títulos a juros baixos e revendê-los a juros maiores, ganhando rios de dinheiro.

Ou seja, há uma nítida possibilidade de manipulação do mercado, por meio de professias autorrealizáveis e que fogem ao controle dos agentes públicos, que podem ter feito tudo certinho e ainda assim serem vítimas de analistas ávidos por garantir lucros a seus clientes. Sem dúvida, um caso de polícia.



Escrito por Luis Oliveira às 23h39
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Cuidado com essas promoções de verão

Passear no shopping é um excelente programa de verão. Dá para economizar em ar condicionado em casa. E ainda dá para observar as grifes todas lançando megas promoções, com preços às vezes até 50% mais baratos, em alguns casos.

No entanto, é preciso um alerta para isso. Esses preços assim mais baixos revelam, no fundo, que eles estavam muito altos no fim de ano. Por que uma camisa branca é tão cara em dezembro? Ora, no Brasil, todo mundo procura uma assim para passar o réveillon. É o chamado custo de oportunidade. Seja previdente e compre já a sua camiseta branquinha em janeiro. Guarde para o fim de ano, quando ela custará muito mais novamente.

E fique atento quanto ao que está realmente em promoção! É comum as lojas colocarem no meio de itens de pouca saída, que estão com bons descontos, peças muito pedidas, que estão no preço normal. Ou livrarias espalham lançamentos perto dos saldões de verão. Você acaba pegando, achando que está fazendo um grande negócio. Quando chega no caixa e vê o preço real, acaba com vergonha de desistir. Melhor fazer como eu faço...nem entro na loja!



Escrito por Luis Oliveira às 22h59
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E la nave va...

Melhor curtir um cruzeiro em terra firme

Uma das tendências do povo brasileiro é a auto-depreciação. É comum ouvir falar que aqui nada presta, que nunca seremos civilizados. E por civilizados, sempre se fala "Europa e Estados Unidos". Já ouvi da boca de muitos dizendo que lá fora é que as coisas são sempre organizadas e que no Brasil as pessoas não prestam.

Ora essa, não é bem assim. Nem vou tentar defender o Brasil, só acho errado o eterno parâmetro de comparação dos países europeus, que nem sempre são exemplos de nada. Vejam o ocorrido com o naufrágio desse navio de bandeira italiana, o Costa Concórdia. Era praticamente uma cidade flutuante, com milhares de pessoas entre tripulantes e passageiros. Apesar de não estar na rota, parecia ser um costume dos capitães passar perto daquela ilha, o que já havia, inclusive, motivado protestos de grupos ambientais da região. A qualquer hora poderia acontecer uma catástrofe igual, mas a capitania dos portos fazia ouvidos de mercador a esse "jeitinho italiano". E deu no que deu. Não havia o menor preparo para situações de emergência e até o capitão abandonou o barco antes de todos.

Se isso acontecesse no Brasil, é certo que ouviria nas ruas ou leria nos comentários de leitores "isso só no Brasil mesmo", "esse país não tem jeito, falta ética", "culpa de Lula e Dilma, desse governo petista", enquanto outro diria "isso tem desde os tucanos". Claro, sem esquecer o indefectível "imagina na Copa"!

Mas aconteceu na Itália e não sei se as autoridades vão ser tão rigorosas assim. Os interesses empresariais em jogo são fortíssimos e isso também conta no país de Berlusconi (que não foi premier tantos anos impunemente).

Por coincidência, ainda na semana passada estava numa agência de viagens para tentar trocar as milhas (desde esse tal de Multiplus, que me pede milhares de senhas, não consigo pela internet). Vi um anúncio de cruzeiros no Brasil e no exterior. É mesmo muito em conta. Há pacotes de quase uma semana por perto de R$ 2 mil por pessoa. Esses mega navios são tão grandes que permitem acomodar cada vez mais gente. Mas imaginem só: se nem bote salva vida conseguiram para todo mundo numa situação dessa, duvido que ofereçam um conforto razoável para os passageiros! E quem paga caro, tem de ficar em piscinas lotadas, filas em restaurantes. Quem paga pouco, pode não curtir tudo, pois outros locais do navio lhes são interditados. O barato acaba saindo caro.

Até já tive curiosidade de ir, mas agora vou pensar duas vezes para sair da terra firme. Ainda mais que sofro de enjoo do mar. E me imaginar deixando todos os bens (documentos, câmeras, lap tops, compras de viagem) para ter de salvar a própria pele num eventual naufrágio me deixa mais enjoado ainda. Bleargh!

Será que com a possível queda de público eles não fazem umas promoções? Aí quem sabe...



Escrito por Luis Oliveira às 23h37
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A farsa do Km de vantagens dos Postos Ipiranga

O KM DE VANTAGENS também é um teatro para o consumidor

Há um ano e meio me inscrevi na promoção KM DE VANTAGENS dos Postos Ipiranga. Na propaganda é perfeito. Cada real que se consome no posto, seja em combustível ou nas lojas, dá direito a um ponto, que pode depois ser trocado por brindes ou até milhas aéreas. Você também pode escolher um posto de sua preferência, que quando abastecer por lá, vai ganhar pontuação dobrada.

Tudo muito bem, mas passado esse tempo, percebi que essa promoção é uma farsa, um engodo, uma mentira pronta para enganar os consumidores mais desavisados.

Primeiro, para se transferir os pontos para o cartão de milhas, é preciso pelo menos 5 mil pontos. Mas não é fácil conseguir isso. É preciso consumir 5 mil reais em gasolina. Calculando que costumo gastar R$ 300 por mês, num ano chego a no máximo 4 mil pontos. Sendo que os pontos vão prescrevendo se você não os utilizar. Eu tinha 3.500 no mês anterior e agora já tenho 2.800. Nunca chegarei aos 5 mil.

Quanto ao posto preferido, tem dois no caminho de casa para o trabalho. Coloquei o mais perto de casa. Mas ali o sistema sempre estava fora do ar. Cansei de abastecer nele e não conseguir ganhar pontos, pois a máquina não funcionava (o que, aliás, é um frequente em vários outros postos). Agora, eles me avisam que o dono resolveu sair da promoção. O outro posto também não consegue pontuar. Ou seja, eles querem que eu saia da minha rota, gaste mais gasolina, para ficar na promoção. Não faz sentido! Deveria ser obrigatório que todos os postos com essa bandeira aderissem a essa promoção.

Por fim, a gasolina nos Postos Ipiranga é sempre mais cara que nos concorrentes. Vai ver que por conta dessa promoção fantasma, em que você nunca ganha. Se for pra gastar mais em gasolina para poder pontuar e viajar, é melhor economizar e comprar a passagem de avião nas promoções. Postos Ipiranga, nunca mais!



Escrito por Luis Oliveira às 18h24
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A coelho o que é de coelho

Diante da necessidade de sempre achar culpados e provocar crises, a imprensa voltou sua carga contra o Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho. As principais acusações foram de que a pasta foi incompetente para prevenir catástrofes como enchentes, que como todo verão, estão assolando o Sudeste. E que teria concentrado os recursos desse item do orçamento em seu Estado natal, Pernambuco, para beneficiar seu eleitorado. Fora isso, teria beneficiado sua família, mantendo o irmão na presidência da Codevasf e liberando verbas para seu filho, deputado federal.

Acho bom que o Brasil tome conhecimento do clã Coelho, pois quanto mais um político se alevanta, mais está sujeito a pedradas. Mas sejamos justos na análise, essa família está mais para o carlismo do que para o sarneysismo. ACM foi um coronel na Bahia, mas sua política truculenta, bem ou mal, de fato modificou para melhor a economia do Estado, que se tornou o principal agente do Nordeste. Está aí o desenvolvimento do polo de Camaçari para provar, sem contar os inúmeros investimentos que fez. Ao contrário de Sarney, que controla o Maranhão com mão de ferro e o Estado, único do Nordeste que não conhece seca, é um dos mais miseráveis há décadas.

Os Coelho também são assim. Estão no poder em Petrolina há anos. Mas mostraram resultado. A cidade pode ser considerada a capital do Sertão brasileiro. Depois de sucessivos governos dessa família, conta com um amplo aeroporto, universidade federal, comércio e serviços que não se encontra na região e um polo econômico, baseado na agricultura irrigada, que só foi possível graças a fortes investimentos governamentais. Um fato curioso é que apesar de membros da família terem se mantido no poder tanto tempo, há um forte racha entre eles mesmos. E racha de verdade, nas campanhas eleitorais, a gentileza mais fina é duvidar da masculinidade de outro membro.

Curiosamente, assim como ACM, o crescimento da cidade acabou sendo o estopim para que o clã perdesse poder. Isso mesmo. A cidade começou a ser invadida por tanta gente de fora, até de outros países, sem qualquer vínculo com os Coelho, que acabaram perdendo a última eleição. O atual prefeito não é ligado a eles e sim era uma terceira via, de oposição.

E a história tende a se mudar nas próximas gerações, com  eles tendo cada vez menos poder. O que considero bom, uma coisa que abomino é a manutenção de poder político como um feudo familiar.

Só que o fato de querer preservar seu clã não pode ser confundido com privilégios ao seu próprio Estado. Não vou cair nessa. E não é por bairrismo, pois detesto quando se busca vitimizar e falar de preconceito gratuitamente. Mas a verdade é que a mídia está criando um cavalo de batalha irreal nesse caso.

Quem parar para analisar o orçamento, vai perceber que quase 40% dele vai todo para RJ, SP e MG. O resto do país fica, portanto, com pouco mais da metade. Quando um dos objetivos da República é justamente diminuir as desigualdades regionais. Ou seja, não haveria nada de errado de dotar com mais recursos e obras estruturantes nas regiões mais pobres. Do orçamento total do Ministério da Integração, o Estado mais beneficiado foi o Rio, depois Santa Catarina e depois Pernambuco. Sendo que o Estado nordestino, junto com Alagoas, desde o ano passado passou por três enchentes, que dizimaram várias cidades, deixando perto de 100 mil desabrigados.

Para resolver esse problema, o governo estadual foi atrás, elaborou projetos, conseguiu as licenças e preparou as licitações. Conseguiu que o Governo Federal bancasse uma parte e este liberou R$ 26 milhões. Não é nada frente ao que se manda para outros Estados (só o Rio ganhou R$ 300 milhões para ajudar as vítimas das últimas enchentes na região serrana). Mas como muitos outros Estados não conseguiram fazer projeto nenhum, acabou só ele pôde ser ajudado.

Ou seja, estão culpando um Estado por ser mais competente que os outros! Na mesma semana vi que o RS devolveu R$ 18 milhões, dos R$ 20 milhões que recebeu de repasse federal, por faltar projeto. E Pernambuco é que é privilegiado?

FBC respondeu a todas acusações com muita propriedade, com base em dados. Claro que a mídia não deu ouvidos. Não há sequer uma acusação de desvio de verbas. Ou seja, por hora, nada há que sustente uma possível exoneração. Agora que é ministro, FBC vai ter de cuidar de suas atitudes, pois o país não suporta benefícios a um clã político. Mas isso não pode permitir jogar o Estado de Pernambuco na vala de privilegiados por receber um montante merecido do orçamento.



Escrito por Luis Oliveira às 20h14
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Jogada de crack - como fazer lucros com a ocupação da cracolandia

 

 

Quem maneja no mercado sabe que a melhor maneira de ganhar dinheiro (e, por vezes, muito dinheiro) é comprar na baixa e vender na alta.

Essa operação pode ser fruto de sorte, de preparo, de visão de futuro, de trabalho próprio na valorização do bem, mas pode advir também de informações privilegiadas. A regulação do mercado de ações busca anular compra de ativos por pessoas que tiveram acesso previamente a fusões de empresas, por exemplo, que valorizam os ativos.

Em Recife, um famoso empresário do ramo dos shoppings centers e também dono de rede de jornais, TV e rádio, há quase duas décadas noticia na sua mídia particular que a Prefeitura deveria fazer uma obra de mobilidade urbana, como salvação do trânsito para a zona sul. A obra acabou sendo tocada. Curiosamente, o empresário adquiriu muitos terrenos que antes valiam muito pouco e ficam nas margens dessa via expressa. Lá está construindo o maior centro de compras do Nordeste e um complexo de edifícios empresariais.

Ou seja, os negócios podem ser forjados para outros interesses.

Não me canso de pensar nisso quando acompanho esse processo de higienização da Cracolândia em São Paulo. A região, bem no centro da capital paulista, perto da Estação da Luz, Pinacoteca, Museu da Língua Portuguesa e outros atrativos, era a maior vergonha da Administração do Estado mais rico do país. Durante anos e anos, traficantes e usuários desfrutavam do vício abertamente, como verdadeiros zumbis a ceu aberto.

De repente, entram em cena as tropas de choque da PM, expulsando todos os moradores de rua do local. A cena é deplorável. Não apenas pela desuminidade (entre os expulsos, havia grávidas e crianças). Também pela falta de sentido prático. Quase nenhum traficante foi preso (apenas três até o momento). E, aos viciados, que são pessoas verdadeiramente doentes, também não se ofereceu qualquer abrigo ou tratamento, ainda que compulsório (médicos sérios, como Dráuzio Varela, advogam que essa é a única solução para quem já perdeu a autonomia da vontade). Não duvido que em várias situações a polícia tenha mesmo de fazer uso da força, pois não dá para negociar com bandidos ou com pessoas aniquiladas pela droga, que não têm mais noção nem de quem um dia foram. Só que seria necessário um acompanhamento mais adequado para essa retirada.

Tudo que estão fazendo é varrer o problema para longe, sem buscar resolvê-lo. Aliás, piorando-o. Se antes ficavam bem localizados, agora estão todos espalhados, o que não é bom para a cidade. Ou como um PM falou em off a uma reportagem “estamos tirando o câncer de um órgão e espalhando para o corpo todo”. Qual a vantagem disso tudo?

Vejamos agora o segundo passo da operação, que já se iniciou. Estão demolindo os velhos sobrados e galpões. Vão dar espaço, em breve, a um dos maiores empreendimentos imobiliários do centro de São Paulo, uma revitalização recém-aprovada. Aposto que o diligente empresário de visão comprou todos esses terrenos por uma pechincha. Quem iria vender caro um imóvel que nem podia entrar, que tinha gente fumando crack na porta? Pois é. Será que ele sabia das intenções da Prefeitura e do Governo Estadual? Como será que ele vai agradecer esse préstimo a seus negócios? É capaz de uma só unidade de apartamento valer a quantia que ele pagou por todo um sobrado. Será que vai aparecer na lista dos doadores na campanha eleitoral que se aproxima (e que conveniente resolver assim a toque de caixa. Muito atrativo para o eleitorado que adora o estilo "prendo e arrebento")

Que negócio da China! Comprou na baixa e vai vender na alta. Claro que não é um caso isolado. Acontece em desapropriações também, por exemplo, em que alguém compra um terreno que não vale muito e sabe antecipadamente que o governo pretende construir uma rodovia passando justamente por ali. Evidentemente também que é dever do Poder Público manter a ordem e uma ação positiva traz como externalidade a valorização do patrimônio (vide o caso da Rocinha, em que algumas casas valorizaram-se até 90% com a chegada das tropas de pacificação).

Só que é triste ver gente ganhando tanto dinheiro às custas de uma tragédia humana que não se fez nada para minorar.

PS: vejam a pérola do coordenador da operação soltou sobre como devem ser tratados os dependentes químicos: http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/prefeitura-usa-sofrimento-de-usuarios-para-acabar-com-cracolandia-20120105.html. Será que ele não sabe que isso não dá certo? Paulistanos, podem esperar por uma nova cracolandia. Aliás, será que a polícia trata com tanta gentileza também os usuários de cocaína nas grandes boates AAA de São Paulo?



Escrito por Luis Oliveira às 16h00
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Dinheiro para malhar

 

Às vezes é preciso de uma motivação extra para ir malhar

 

Sofro de uma dificuldade crônica para seguir um ritmo disciplinado de academia. É dificil manter a frequência semanal de 3 a 4 vezes. Até começo bem, mas no decorrer do ano, sempre aparece um imprevisto que me afasta. Já tentei malhar nos horários de almoço, de manhã bem cedo e até tarde da noite. Sei que não estou sozinho nessa dificuldade. Um dos mecanismos que usava para me estimular para a malhação era o pagamento antecipado. Muitas academias oferecem descontos para quem paga antecipado o semestre ou o ano.

Fiz isso até novembro. Sendo que o semestre pago, dessa vez, acabou justo na semana do casamento. Aí já viu: muito atarefado, depois lua de mel, na volta foram os excessos de fim de ano, recesso, etc. Agora, passados dois meses, ensaio um retorno. E me deparo com a mesma falta de estímulo para dar o pontapé inicial.

Só que descobri um programa genial, que pode enfim dar um estímulo seguro, mexendo com a parte do corpo que nenhum instrutor ou personal trainner costuma malhar - o bolso! Transcrevo a notícia abaixo, publicada no UOL. O único inconveniente é o preguiçoso acabar pagando o preço de ficar na poltrona de casa. Aí é prejuízo. Cabe ao sujeito entender que existem outras vantagens, além das econômicas, para se frequentar esse ambiente. Estou me referindo ao lema "saúde é o que interessa", é claro.

Aplicativo promete dinheiro a quem for para academia; se faltar, terá de pagar

O aplicativo Gym Pact promete que este ano será diferente. Com uma ideia que parece ter de fundo o slogan “seus problemas acabaram”, o software cria um bom motivo para você realmente ir à academia, conforme previsto na resolução de Ano Novo. O motivo (deveria, mas) não é um corpo sarado e sim dinheiro: você paga sempre que deixar de ir à academia e recebe se frequentar o local com a frequência planejada. Opa, interessou, né?

Funciona assim. Você instala o aplicativo gratuito no celular (por enquanto disponível somente para iPhone) e assume o compromisso de quantas vezes irá à academia na semana. Define também quanto terá de pagar via cartão de crédito cada vez que faltar (de US$ 5 a US$ 50; ou cerca de R$ 9,20 a R$ 92). Toda vez que chegar ao estabelecimento você deve dar check-in, tendo o GPS como testemunha de que está lá.

No final da semana, o dinheiro de todos aqueles que não honraram o compromisso será dividido entre as pessoas que mantiveram sua palavra, segundo o aplicativo.

O site oficial diz que qualquer pessoa pode usar o Gym Pact, mesmo fora dos Estados Unidos – se sua academia não estiver na lista, basta acrescentá-la. A página afirma também que o programa estará disponível para Android e outras plataformas nos próximos meses.

A ideia é boa, mas como saber se todo o montante recebido pela empresa será realmente dividido entre os usuários ponta firme? A outra dúvida, de quem já deu muito olé em academia, é: se um simples check in basta, vale ir ao local da malhação só para dar um oi e depois correr para a pizzaria ao lado, não?



Escrito por Luis Oliveira às 17h43
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Mulheres ricas

Vergonha alheia é uma expressão que define bem o que eu senti ao me deparar ontem com o novo programa da Band. Chama-se "Mulheres Ricas" e, pelo baixo nivel da televisão aberta brasileira, tende a ser a grande pérola do ano.

Na tela, cinco mulheres muito ricas desfilam sua vaidade e falta de noção. Umas são ricas de berço, outras ficaram pelo trabalho e outras simplesmente se casaram com homens ricos. A única que tem algum simancol é a ex-semterracapadeplayboy Débora Rodrigues, que ao menos se mostrava mais preocupada com o futuro profissional do filho do que em escolher a melhor roupa. A solialite profissional (e isso é profissão?) Narcisa Tamborindeguy ao menos nasceu em berço de ouro e é autêntica. Todas as outras parecem competir em saber quem é mais fútil, que compra mais e quem faz o marido pagar o cartão de crédito mais caro. Um show de falsidade que só uma elite vazia como a brasileira é capaz de fazer.

Tô fora! Esse programa deveria ser mostrado como o que não deve ser a vida de uma mulher. Pior é que muitas vão levar a sério essa galhofa e usá-las como exemplo de vida e sucesso. Socorro! 



Escrito por Luis Oliveira às 18h00
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Não faturei a mega sena da virada

Dadas as probabilidades, seria mesmo muito difícil, mas devo anunciar aos meus diletos leitores que não foi dessa vez que a sorte (ao menos no mundo das loterias) bateu a minha porta. Nem o ano havia começado, e no sábado mesmo já tive a primeira decepção: não fui um dos cinco sortudos contemplados com a mega sena da virada, que vão dividir a bolada de R$ 177 milhões. O que dá a ninharia de R$ 35 milhões para cada.

E olha que esse ano bem que tentei. Bombei minhas apostas organizando um bolão com os demais membros do meu setor na Procuradoria. Aliás, imagina se a gente ganha. Seria um caos para esse órgão público, que ficaria vazio. Vai ver melhor assim mesmo.

Sorte dos meus leitores. Como não estou rico - bem longe disso, aliás - vão ter o prazer de acompanhar minhas pirangueiragens por mais tempo.

Mas, como sonhar não paga nada (adoro o que é de graça mesmo!), imagina se eu ganho. Já me vejo em manchetes de jornal, como essa que postei acima. Uma notícia desse nível só reforça a convicção que tenho e que foi bem expressa num dos versos dessa linda canção (perdão às leitoras pelos termos da poesia, mas vendo a atitude das moças acima, não há expressão que melhor defina): 



Escrito por Luis Oliveira às 23h50
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Um grande futuro e pequenas faturas em 2012!

O blogueiro se despede de seus leitores nesse 2011, desejando um grande futuro (e pequenas faturas a pagar) no ano que já vem.

Nesta reta final, ganhei um presente que sugiro seja aplicado em todas as famílias. Ao invés de meias, gratavas ou garrafas de vinho, ganhei o pagamento do IPVA e do IPTU. Que, aliás, vieram com o esperado aumento inflacionário. Melhor pagar agora de uma vez só, aproveitando os descontos, do que gastar em presentes que mal são usados. Sobrou-me apenas o pagamento do conselho de classe, no meu caso, a OAB. Ainda não tenho que gastar com matrícula e material escolar, ao menos por enquanto.

 

 

E para quem achava que o mundo iria se acabar em 2012 e por isso poderia parcelar suas compras em até 24 meses, uma notícia "infeliz": o mundo não vai se acabar. Ao menos não agora ou não do jeito que se espera. O calendário maia, símbolo de toda essa confusão, apenas finaliza um ciclo para dar início a outro. Sinto muito, amigo, o jeito é pagar aquilo que foi acertado.

Em 2012, dentre as várias resoluções que sempre tomo, comprometo-me a repaginar o Blog. Em atenção aos leitores fieis de sempre, vocês merecem uma plataforma mais moderna, com novos recursos. 2011 foi muito atribulado para realizar essas mudanças, mas aguardem para o ano vindouro boas novidades!

E incluam uma resolução já a contar de 1° de janeiro de 2012: fazer enfim uma tabela financeira. Já demos um modelo aqui no blog. Quem começar no primeiro dia, vai chegar ao final de 2012 com uma noção de gastos e rendimentos muito mais eficiente. Tudo é questão de hábito. Basta começar!

Feliz 2012!!!!



Escrito por Luis Oliveira às 10h59
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Atravessamos bem 2011. Que venha 2012!

Hoje a imprensa britânica divulgou que o Reino Unido foi ultrapassado no posto de sexta economia do planeta. E advinhem por quem? Ora, vocês já deem saber, o Brasil-sil-sil.

Deve ter gente cortando os pulsos. Falo dos urubus da plantão. Foi engraçado ver a notícia sendo divulgada no Jornal Hoje, da rede Globo. A repórter só faltou se desculpar e disse que ainda não estava nada confirmado. E teve menos destaque que o divórcio do ator Mel Gibson (como se sabe, algo relevantíssimo para a audiência brasileira). O ano foi mesmo de previsões desastradas dos profetas do apocalipse econômico. A começar do fim, diziam que iriamos enfrentar novo apagão aéreo e os atrasos e cancelamentos de voos ficaram em índices normais de qualquer fim de semana. Ali Kamel deve estar desesperado!

Mas o melhor mesmo foi ver que o país continuou a fortalecer seu mercado interno, foi responsável na gestão fiscal, abafou o fantasma inflacionário, conseguiu abarcar mais pessoas em programas de transferência de renda, melhorou os índices educacionais e passou o ano sem ser tão afetado pela crise europeia. Fora isso, criou mais de 2 milhões de empregos este ano, graças a medidas também como desoneração tributária de mais empresas (pelo aumento do valor para participar do SIMPLES NACIONAL) e também sobre produtos como geladeiras e máquinas de lavar.

Aponta-se para o caminho certo, muito embora ainda exista uma longa jornada a percorrer. Um problema institucional à Douglass North, eu diria. Nosso sistema tributário ainda tem pouca lógica e é muito trabalhoso para o contribuinte (louve-se que a Receita enfim está diminuindo a papelada exigida!), nosso Judiciário ainda cria custos de transação, a eficiência da máquina administrativa é lamentável e os niveis educacionais (sobretudo qualitativos) são deploráveis. Mas temos condições de superar essas mazelas com foco e planejamento de longo prazo. Não adianta ter um PIB valioso e um IDH baixo. É trabalho para gerações.

E que essas gerações não se deixem contaminar pelas lamúrias das hienas que insistem em dizer "Ó dia, ó céus, ó azar". Já falaram que o Brasil não tinha petróleo, que não poderiam os plantar trigo no Sul, nem uva no Nordeste. E aí estamos. Que venha 2012!

E sobre o ano do Brasil, remeto os leitores a este post bem humorado do blog do Paulo Henrique Amorim (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/12/26/o-que-a-dilma-fez-em-2011-e-ninguem-soube/)



Escrito por Luis Oliveira às 19h58
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